Os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã já chegaram ao Brasil e começaram a pesar no bolso da população, com a alta nos preços do diesel e da gasolina. E a tendência é de agravamento. Reportagem do prestigiado jornal inglês Financial Times aponta que o petróleo pode subir ainda mais diante da intensificação do conflito e do fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, o que pode interromper por meses as exportações do Oriente Médio.
Em meio à escalada da crise, o barril de petróleo já atingiu a marca de 100 dólares. O Brent, referência internacional, acumula alta de cerca de 40% desde que o presidente americano Donald Trump iniciou a guerra. Analistas e operadores de Wall Street – principal centro financeiro do mundo, em Nova York – alertam que a escassez de oferta pode levar à falta de combustíveis de transporte e outros derivados, ampliando os impactos na economia global.
“O mercado enfrenta uma escassez aguda de produtos – diesel, combustível de aviação, (gás liquefeito de petróleo) e nafta – que simplesmente não podem ser consumidos porque não estão disponíveis”, declarou Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, em entrevista ao Financial Times.
A possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz é tratada como um cenário extremo. “Fechar o Estreito de Ormuz deveria ser o apocalipse do petróleo”, disse Jim Krane, do Baker Institute da Universidade Rice. “Pode ficar muito pior do que já está”.Além da guerra, declarações do presidente americano também têm contribuído para a volatilidade dos preços. Para o Instituto de Estudos de Energia de Oxford (OIES), o episódio evidencia o peso de manifestações políticas em um mercado altamente sensível a riscos geopolíticos e interrupções de oferta.
“A administração dos EUA tem intervindo pesadamente no mercado de petróleo por meio de fluxos de informação e mensagens, que nem sempre são precisas ou corretas”, afirma Bassam Fattouh, diretor do IOES.
No Brasil, os impactos já começam a se espalhar. A Petrobras confirmou nesta semana um aumento de 54,63% no preço do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras. Embora mais de 80% do QAV consumido no país seja produzido internamente, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do petróleo.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os combustíveis representam cerca de 30% dos custos totais das companhias aéreas. Por isso, especialistas estimam que as passagens aéreas podem subir até 20% com a alta do querosene de aviação.
Mesmo com a produção recorde de petróleo e gás natural registrada em fevereiro – 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) -, o Brasil ainda depende da importação de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. A Petrobras projeta alcançar a autossuficiência em diesel em até cinco anos, mas, até lá, o país segue exposto às oscilações do mercado internacional.
*Com informação das agências
Fonte: Correio24horas
Foto: Divulgação/Petrobrás


