O governador Jerônimo Rodrigues (PT) tentou minimizar a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que cumpriu mandados na residência do senador Jaques Wagner (PT). Nesta sexta-feira (26/06), durante o primeiro evento público em que os dois apareceram juntos após a investida. Wagner teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master.
A manifestação de Jerônimo ocorreu em Barreiras, no Oeste baiano, durante a inauguração da ala de radioterapia do Hospital do Oeste e a assinatura da ordem de serviço para ampliação da unidade de saúde. Jerônimo afirmou acreditar na inocência de Wagner e classificou as investigações como uma perseguição política.
“Esse é o primeiro ato público com Wagner depois do que quiseram fazer com ele. Nós vamos mostrar, vamos provar que, se você tem um erro na vida, para eles, é o erro de cuidar de pobre e dedicar a sua vida a isso”, declarou o governador. Em seguida, completou: “A Bahia te ama, Wagner”.
O governador também comentou a saída do senador da liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. Segundo Jerônimo, a decisão foi tomada em entendimento com o presidente.
“Anteontem, ele conversou com o nosso amigo Lula e se acertou com ele. Para além de um cargo de liderança, estão o Brasil e a Bahia”, afirmou.
A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido vantagens do empresário Augusto Lima, ligado ao Banco Master, em troca de suposta atuação parlamentar favorável aos interesses da instituição financeira. Entre os benefícios investigados estão um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, aproximadamente R$ 3,5 milhões em repasses para uma empresa ligada ao enteado do senador, além da utilização de aeronaves particulares e ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o senador afirmou que todos os recursos recebidos pela empresa da família têm origem lícita, negou ter recebido vantagens pessoais ou qualquer contrapartida por sua atuação parlamentar e disse que pretende comprovar sua inocência durante o andamento das investigações.
A saída de Wagner da liderança do governo foi anunciada na última quarta-feira, após reunião com o presidente Lula. Segundo o senador, a decisão ocorreu em comum acordo com o Palácio do Planalto, em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Fonte: Informe Baiano


