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CASAS BAHIA PEDE RECUPERAÇÃO JUDICIAL APÓS OITO TRIMESTRES NO PREJUÍZO E ROMBO DE R$ 10 BILHÕES.

CASAS BAHIA PEDE RECUPERAÇÃO JUDICIAL APÓS OITO TRIMESTRES NO PREJUÍZO E ROMBO DE R$ 10 BILHÕES.

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo neste domingo (16), em meio a uma grave deterioração de sua situação financeira. A medida envolve a companhia e outras empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as dívidas, enquanto as operações seguem funcionando.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O processo foi apresentado ao Foro Central Cível de São Paulo, que concentra ações de falência e recuperação judicial. Entre as empresas abrangidas está a Bartira, fabricante de móveis, além de negócios ligados às áreas de logística, tecnologia e comércio eletrônico.

Segundo a Casas Bahia, o pedido ocorre diante de um cenário de juros elevados, crédito mais restrito, aumento das despesas financeiras e queda no consumo. A empresa também informou que não conseguiu concluir negociações para novas fontes de recursos.

Apesar da recuperação judicial, a varejista afirma que pretende manter abertas as lojas físicas e preservar as vendas pelo comércio eletrônico e demais canais. A estratégia prevê renegociação e extensão dos prazos das dívidas, além da concentração das atividades em operações consideradas mais rentáveis.

Crise levou a fechamento de lojas

A crise financeira já vinha provocando uma redução significativa da estrutura da empresa. Até a divulgação dos resultados mais recentes, 298 lojas haviam sido fechadas no país na sexta (14). Na Bahia, pelo menos 15 unidades deixaram de funcionar, sendo 11 em Salvador e outras em Lauro de Freitas, Itabuna, Barreiras e Paulo Afonso.

A companhia também vem adotando medidas para reduzir despesas e melhorar o fluxo de caixa. Entre as ações estão a revisão dos estoques, do sortimento e dos volumes de compras, além da redução da estrutura física.

O cenário se agravou com o resultado do segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, a Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, contra R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Ao fim de junho, a dívida líquida era de R$ 1,2 bilhão, enquanto o patrimônio líquido estava negativo em R$ 8,1 bilhões.

A empresa informou que o resultado foi afetado por uma baixa de R$ 5,7 bilhões relacionada a itens como imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e encerramento de lojas.

O pedido de recuperação judicial ocorre após uma sequência de oito trimestres consecutivos de prejuízo. O último lucro havia sido registrado no segundo trimestre de 2024, período em que a empresa também recorreu a uma recuperação extrajudicial.

Com a nova medida, a Casas Bahia busca ganhar espaço para renegociar seus compromissos financeiros e reorganizar a operação sem interromper as atividades. Como o pedido foi feito em caráter de urgência, a decisão ainda deverá ser submetida à ratificação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

A recuperação judicial permite que empresas em dificuldade financeira negociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, buscando preservar a atividade empresarial e evitar a falência.

FONTE: CORREIO24HORAS

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