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BAHIA TERÁ QUASE 5 MIL NOVOS CASOS DE CÂNCER DE PULMÃO ATÉ 2028; SAIBA COMO PREVENIR

BAHIA TERÁ QUASE 5 MIL NOVOS CASOS DE CÂNCER DE PULMÃO ATÉ 2028; SAIBA COMO PREVENIR

A redução no número de fumantes não impede que o tabagismo continue impondo um alto custo à saúde na Bahia. Entre 2026 e 2028, o estado deve registrar cerca de 4.770 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A previsão é de 1.590 novos diagnósticos por ano no período. Em paralelo, as internações por esses tipos de câncer cresceram cerca de 15% na Bahia entre 2024 e 2025, passando de 1.019 para 1.172 registros.

O cenário baiano acompanha um problema de dimensão mundial. De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do consumo de tabaco. O cigarro é considerado um dos principais fatores de risco para doenças respiratórias, entre elas o câncer de pulmão, que provocou mais de 31 mil mortes no Brasil em 2023, segundo dados do Inca.

Apesar dos números, o perfil do tabagismo vem mudando no país. Dados da pesquisa Vigitel mostram que a proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras caiu de 15,7% em 2006 para 11,5% em 2024. Também diminuiu o percentual de pessoas que fumavam 20 ou mais cigarros por dia: de 4,6% para 2,8% no mesmo período.

Para a médica oncologista Tércia Reis, a dificuldade de abandonar o cigarro está diretamente relacionada à dependência provocada pela nicotina. “A nicotina gera uma dependência química mesmo, então a pessoa (fumante) tem essa dificuldade de parar de fumar. Fumar dá essa sensação imediata de bem-estar, mas a gente reforça que os malefícios não compensam”, diz.

Segundo a especialista, utilizar o cigarro como uma forma de aliviar o estresse também é um equívoco. Ela destaca a prática regular de atividades físicas como uma alternativa mais saudável e ressalta que o tabagismo deve ser encarado como uma doença que pode exigir acompanhamento de diferentes profissionais, como psicólogos e nutricionistas.

A experiência de Odeliz Gaiche, de 72 anos, mostra a dificuldade enfrentada por quem tenta romper com a dependência. Fumante durante grande parte da vida, ela teve contato com o cigarro ainda aos 10 anos, quando acendia cigarros para a mãe. Ao longo dos anos, tentou abandonar o hábito diversas vezes, inclusive com adesivos de nicotina e terapias.

A interrupção definitiva veio há quatro anos, após a descoberta de um enfisema, doença pulmonar crônica e progressiva. Antes do diagnóstico, Odeliz relata ter enfrentado crises de pneumonia e infecções respiratórias.

Vape entre os mais jovens

Enquanto o consumo do cigarro tradicional apresenta queda, os cigarros eletrônicos ganharam espaço, especialmente entre os mais jovens. Os dispositivos, conhecidos como vapes, utilizam bateria para aquecer uma solução que pode conter nicotina, aromatizantes, aditivos e outras substâncias.

A comercialização desses produtos é proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. Ainda assim, a experimentação aumentou. Segundo a Vigitel, o percentual de pessoas que afirmaram já ter experimentado cigarro eletrônico ao menos uma vez subiu 2 pontos percentuais entre 2019 e 2024. Entre adultos de 25 a 34 anos, o índice passou de 10,9% para 15,2%.

Embora os efeitos de longo prazo dos dispositivos ainda sejam objeto de estudos, a oncologista alerta para os impactos pulmonares associados ao uso dos vapes.

“Não é tão raro hoje em dia, a gente tem visto casos de jovens internados, entubados. Aí quando você vai entender, fazer a anamnese do porquê aquele jovem, sem nenhuma comorbidade prévia, tem um problema tão grave de pulmão, a gente tem a informação do acesso e do uso dos vapes”, relata.

Além dos impactos à saúde, o tabagismo também representa um custo elevado para o sistema de saúde. Segundo a pesquisa A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta, do Inca, em 2019 o consumo de tabaco gerou R$ 67,2 bilhões em custos médicos diretos no Brasil, o equivalente a 7% de todo o gasto com saúde.

O levantamento aponta ainda que, para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o país desembolsa R$ 5 para tratar doenças relacionadas ao vício.

O preço relativamente baixo do cigarro tradicional também contrasta com o valor dos cigarros eletrônicos. Enquanto um maço pode ser encontrado a partir de R$ 10, dispositivos eletrônicos podem custar mais de R$ 100, com modelos que ultrapassam R$ 1 mil.

Conscientização e prevenção

Para a médica Tércia Reis, ampliar o acesso à informação é fundamental para enfrentar o tabagismo e seus impactos. Ela destaca a importância de campanhas de conscientização, especialmente durante o Agosto Branco, mês dedicado à 

prevenção

 e à conscientização sobre o câncer de pulmão.

“A gente tem avançado, melhorado. Eu acho importante ter o Agosto Branco, esse mês de conscientização ao câncer de pulmão, as medidas de prevenção, ao diagnóstico precoce, que a gente não tinha isso há menos de cinco anos. Mas é claro que nunca é demais a gente aumentar essa divulgação e atingir mais gente”, afirma.

Depois de décadas como fumante, Odeliz conseguiu abandonar o cigarro com apoio da família, esforço pessoal e acompanhamento profissional por meio do programa HSR Pela Vida, do Hospital São Rafael – Rede D’Or.

Hoje, olhando para a própria trajetória, ela afirma que gostaria de ter tido acesso antes às informações que possui atualmente. “Com 10 anos, era impossível que eu pudesse pensar nisso. Mas, depois, mais tarde, com 20 anos, se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje, jamais teria começado a fumar”, finaliza.

FONTE: CORREIO24HORAS

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