O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), declarou nesta segunda-feira (28), em entrevista a rádios de Barreiras, que “a Bahia é um estado de paz”. A fala veio poucos dias após a divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que apontou a Bahia como o estado com maior número de homicídios do país: foram mais de 6 mil mortes registradas no último ano.
O levantamento também revelou que a polícia baiana foi a mais letal do Brasil, com 1.556 mortes decorrentes de intervenções policiais.
Ao comentar os dados, Jerônimo reconheceu a gravidade do problema, mas afirmou que o crime organizado é uma questão nacional, e não restrita à Bahia. “Não está localizado na Bahia”, disse o governador, citando mudanças no perfil do crime ao longo dos anos e o uso crescente de tecnologias pelas facções.
O anuário também apontou que cinco das dez cidades mais violentas do Brasil estão na Bahia, incluindo Jequié, Juazeiro, Camaçari, Simões Filho e Feira de Santana. No total, o estado aparece com nove cidades entre as 20 mais violentas do país.
Esse é o maravilhoso mundo de Jero
É preocupante ouvir um governador afirmar que “a Bahia é um estado de paz” enquanto os números gritam o contrário. Em um estado onde milhares perdem a vida todos os anos por conta da violência, onde a polícia mata mais que qualquer outra no país, o discurso otimista soa como um descolamento da realidade.
Sim, o crime organizado é um problema nacional — mas isso não isenta o governo estadual de sua responsabilidade direta. Reconhecer os dados com coragem e agir com firmeza deveria ser prioridade. O povo da Bahia precisa de segurança real, e não de narrativas suavizadas.


