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PLANO DE SAÚDE MAIS CARO: ALTA DE 9,9% FORÇA FAMÍLIAS A CORTAREM GASTOS NO ORÇAMENTO

PLANO DE SAÚDE MAIS CARO: ALTA DE 9,9% FORÇA FAMÍLIAS A CORTAREM GASTOS NO ORÇAMENTO

Com aumentos que seguem acima da inflação, os planos de saúde coletivos voltaram a pesar no orçamento das famílias e têm levado consumidores a reavaliar gastos antes de manter ou alterar o contrato.

Dados divulgados no mês passado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que os contratos coletivos tiveram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses do ano. Apesar de ser o menor percentual em cinco anos, a alta ainda pressiona o bolso de quem depende do serviço para manter o acesso à assistência médica.

O impacto tende a ser maior nos contratos de pequeno porte, porque a utilização dos serviços interfere de forma mais direta no valor final cobrado. Segundo Paulo Bittencourt, CEO do Plano Brasil Saúde, grupos menores, como os formados por MEIs, pequenos negócios e CNPJs familiares, são mais sensíveis a aumentos na demanda por atendimento.

“Em grupos menores, qualquer aumento mais significativo no uso do plano impacta de forma proporcionalmente maior a conta da operadora”, explica. Ele acrescenta que a pressão também está ligada ao avanço dos custos médicos e hospitalares, impulsionados por novas tecnologias, medicamentos de alto custo, exames mais complexos e envelhecimento da população.

Esse aumento aparece na chamada sinistralidade, indicador que compara o que a operadora arrecada com o que desembolsa em atendimentos, exames, terapias, cirurgias e internações. De acordo com Paulo, procedimentos de maior complexidade elevam rapidamente essa conta e influenciam os percentuais aplicados aos beneficiários.

“Nos últimos anos, observamos uma retomada muito forte da demanda reprimida do período pós-pandemia, com aumento expressivo de consultas, exames e tratamentos. Esse cenário pressiona o equilíbrio financeiro dos contratos”, afirma.

Na prática, a alta amplia a pressão sobre uma despesa considerada prioritária e reduz o espaço para outros gastos no orçamento. O planejador financeiro Ricardo Elias explica que, como o plano de saúde dificilmente pode ser cancelado de forma imediata, muitas famílias precisam acomodar o novo valor com cortes em áreas mais flexíveis.

“Esse reajuste provoca o que a gente chama de efeito exclusão no orçamento, porque a saúde é uma despesa prioritária”.

A mudança pode levar à redução de despesas com lazer, viagens, serviços por assinatura ou até comprometer a capacidade de poupança. No caso de MEIs e microempresas, o impacto pode atingir diretamente a margem de lucro e o fluxo de caixa do negócio.

Fonte: A TARDE

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