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CONTA DE LUZ VAI SUBIR 7,5% PARA CONSUMIDORES RESIDENCIAIS APÓS LEILÃO BILIONÁRIO DA ANEEL

CONTA DE LUZ VAI SUBIR 7,5% PARA CONSUMIDORES RESIDENCIAIS APÓS LEILÃO BILIONÁRIO DA ANEEL

A conta de luz dos consumidores brasileiros deve ficar mais cara nos próximos anos após a homologação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do leilão de reserva de capacidade realizado pelo governo federal em março. O certame contratou quase 20 GW de potência para reforçar o atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN) nos horários de maior demanda.

A decisão, aprovada nesta terça-feira (9), encerra uma disputa que se arrastava há cerca de três anos no setor elétrico. Apesar de o governo defender a medida como necessária para garantir segurança energética ao país, especialistas apontam que o custo será repassado às tarifas pagas pelos consumidores.

Diferente dos leilões tradicionais, em que a contratação está ligada à energia efetivamente consumida, o modelo de reserva de capacidade remunera as usinas pela disponibilidade. Na prática, o consumidor paga para que os empreendimentos fiquem prontos para operar em momentos de pico de consumo, mesmo que a energia não seja utilizada de forma contínua.

Segundo projeções da consultoria TR Soluções, o custo fixo do leilão pode chegar a R$ 48 bilhões por ano no início da próxima década. O impacto será escalonado e deve começar de forma mais discreta ainda em 2026, com alta média de 0,4% nas tarifas.

A pressão maior deve ocorrer a partir de 2029, quando boa parte das usinas contratadas começará a operar comercialmente. Em 2032, quando toda a capacidade estiver disponível, a tarifa média de energia no Brasil pode sofrer aumento de 8,4%.

Para os consumidores residenciais, classificados no grupo B1, a alta estimada é de 7,5% na tarifa final. Esse grupo inclui famílias e pequenos comércios, que devem sentir o impacto diretamente no orçamento mensal.

O peso será ainda maior para consumidores de média e alta tensão. Para indústrias e comércios de médio porte, enquadrados na categoria A4, a projeção é de aumento de 10,3%. Já as grandes indústrias, classificadas como A2, podem enfrentar alta de 13,5% nas faturas.

No topo da escalada de custos, em 2032, o chamado “seguro de potência” do país, somando o leilão de 2021 ao novo certame, pode alcançar R$ 53 bilhões anuais. O valor se aproxima do peso da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um dos principais encargos já pagos pelos consumidores na conta de luz.

A medida ocorre em meio ao debate sobre o equilíbrio entre segurança energética e modicidade tarifária. Enquanto o governo argumenta que a contratação evita riscos de falta de energia em horários de pico, representantes de consumidores e setores produtivos alertam para o aumento de encargos em um momento de forte pressão sobre o custo de vida e a competitividade da indústria.

Fonte: Iforme Baiano

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