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DE JOÃO DOURADO AO DOUTORADO NA UFBA: TRAJETÓRIA DE MÔNICA CARNEIRO BRITO INSPIRA JOVENS DO INTERIOR

DE JOÃO DOURADO AO DOUTORADO NA UFBA: TRAJETÓRIA DE MÔNICA CARNEIRO BRITO INSPIRA JOVENS DO INTERIOR

Nascida e criada na pequena comunidade rural de Alívio, no município de João Dourado, a baiana Mônica Carneiro Brito, de 31 anos, acaba de alcançar mais uma importante conquista em sua trajetória acadêmica: a conclusão do doutorado em Direito Penal pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com aprovação nota 10 na defesa da tese.

A caminhada de Mônica começou na Escola Municipal Cícero Irineu de Brito, no povoado de Floresta, onde cursou todo o ensino fundamental. Para continuar os estudos, precisou deixar o povoado e seguir para a cidade de João Dourado, onde concluiu o ensino médio.

Aos 16 anos, mudou-se para Salvador e região metropolitana para cursar Direito. Em 2012, iniciou a graduação e construiu uma trajetória marcada pela dedicação aos estudos. Foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos 20 anos e concluiu a graduação aos 21, em 2016.

Ao longo dos últimos dez anos, Mônica acumulou importantes conquistas acadêmicas. Realizou duas especializações pela Faculdade Baiana de Direito, nas áreas de Ciências Criminais e Direito Público, além de concluir o mestrado em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador (UCSal), com bolsa de pesquisa.

Mais recentemente, concluiu o doutorado em Direito Penal pela UFBA, também com bolsa de pesquisa. Aos 31 anos, defendeu sua tese e recebeu nota máxima da banca examinadora, em um programa de pós-graduação reconhecido pela excelência.

A pesquisadora também possui livro publicado desde 2023, prepara uma segunda obra e acumula artigos científicos publicados em revistas especializadas.

Além da formação acadêmica, Mônica construiu experiência prática em importantes instituições. Já atuou na Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), Ministério Público da Bahia (MPBA) e Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Também desenvolveu atividades de estágio docência na graduação em Direito da UFBA e participou de trabalho voluntário de assistência jurídica gratuita por meio do Patronato de Presos e Egressos (PPE-BA).

Para Mônica Carneiro Brito, compartilhar sua história vai além da celebração de conquistas pessoais. A intenção é mostrar a crianças, adolescentes e jovens, especialmente aqueles que vivem nas comunidades rurais e no interior, que os espaços de alta formação acadêmica também podem e devem ser ocupados pela juventude dessas regiões.

Sua trajetória, da sala de aula de uma escola municipal no interior de João Dourado até a defesa de uma tese de doutorado na maior universidade federal da Bahia, se torna um exemplo de representatividade e inspiração.

“Não no sentido meritocrático, pois sei o quanto as oportunidades continuam desiguais. É no sentido de representatividade: para que eles vejam que os espaços de alta formação também pertencem à juventude do interior e saibam que, com apoio e oportunidade, os nossos sonhos acadêmicos são possíveis e legítimos”, destaca Mônica.

A história da jovem doutora reforça que talento, sonhos e capacidade existem em todos os lugares — inclusive nas pequenas comunidades do interior baiano — e que ampliar oportunidades e referências é fundamental para que novas trajetórias possam ser construídas.

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