O El Niño de 2026 atingiu um novo recorde de aquecimento no Oceano Pacífico e pode provocar mudanças no clima brasileiro nos próximos meses. Entre os possíveis impactos estão temperaturas mais elevadas, redução das chuvas em partes do Norte e Nordeste e atrasos no início da estação chuvosa. Na Bahia, esse atraso pode chegar a 43 dias na região de Ilhéus e Itabuna, no sul do estado.
Em outubro, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou 2,47°C acima da média histórica, o maior desvio já registrado para o mês nessa área do Pacífico. O resultado reforça a classificação do fenômeno como muito forte, com possibilidade de permanecer ativo até o início de 2027.
Bahia pode ter atraso nas chuvas
Um estudo da empresa de tecnologia ambiental MORFO, divulgado pela CNN, aponta que o El Niño pode alterar o calendário de chuvas em diferentes regiões do país.
Na região de Ilhéus e Itabuna, a estimativa é de um atraso de aproximadamente 43 dias no início da estação chuvosa, em comparação com condições climáticas neutras.A mudança pode afetar principalmente a agricultura, interferindo no planejamento do plantio, na preparação do solo e na disponibilidade de água.
Em outras localidades, os atrasos podem ser ainda maiores. Em Curuá, no Pará, a previsão chega a 74 dias. Já em Santarém e Altamira, também no estado paraense, as estimativas são de 41 e 34 dias, respectivamente.
Nordeste pode enfrentar mais calor e menos chuva
O levantamento indica que cerca de 84% do território brasileiro pode registrar temperaturas pelo menos 0,5°C acima da média histórica durante a estação chuvosa de 2026-2027.
No Nordeste, aproximadamente 47% da região apresenta tendência de temperaturas mais altas acompanhadas de redução das chuvas. Na Caatinga, a estimativa aponta queda de 22% no volume de precipitações.
O cenário também preocupa a Região Norte, onde 55% da área analisada apresenta tendência simultânea de mais calor e menos chuva. Em partes da Amazônia, a redução das precipitações pode chegar a 16%, com temperaturas cerca de 0,9°C acima da média.
No Cerrado, a projeção indica diminuição de 15% das chuvas e aumento de aproximadamente 0,8°C na temperatura.
Sul pode registrar aumento das chuvas
Enquanto partes do Norte e Nordeste podem enfrentar condições mais secas, o Sul apresenta tendência de aumento das precipitações.
As projeções oficiais para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 também apontam maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Já em 58% do território brasileiro analisado, o estudo não identificou uma relação estatística consistente entre o El Niño e a quantidade de chuva.
Aquecimento do Pacífico bate recordes
Dados atribuídos ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o aquecimento das águas do Pacífico alcançou marcas históricas em outubro.
Na região Niño 3, a anomalia semanal chegou a 3,7°C, superando os 3,6°C registrados em dezembro de 1982. Já na região Niño 1+2, próxima ao Peru e ao Equador, o desvio atingiu 4,6°C, igualando o recorde de junho de 1983.
O meteorologista Leydson Dantas, do Inmet, ressalta que os indicadores semanais e mensais devem ser analisados separadamente, pois representam períodos de medição diferentes.
O El Niño começou a se configurar em junho e deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. Apesar das projeções, os efeitos não são uniformes e dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da atuação de outros sistemas atmosféricos.
FONTE: A TARDE


