A estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) de concentrar as três principais candidaturas da chapa majoritária em nomes com passagem pelo governo da Bahia saiu vitoriosa das urnas neste domingo, 4. Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas baianas no Senado, consolidando a chamada “superchapa de governadores” montada pela legenda para a eleição de 2026.
Conforme apuração realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), Jerônimo Rodrigues venceu a eleição com 55,73% dos votos válidos. Rui Costa foi eleito senador com 30,03%, enquanto Jaques Wagner conquistou a segunda vaga com 27,61%.
O resultado confirma a aposta do PT em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido e com três nomes que já ocuparam ou ocupam posições centrais no Executivo estadual e na política baiana. A composição reuniu o governador candidato à reeleição e dois ex-governadores: Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner, senador e ex-governador.
Chapa petista supera após histórico desfavorável
A escolha do PT tinha como obstáculo um histórico eleitoral pouco favorável. Levantamento realizado pelo portal A TARDE, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou 26 chapas “puro-sangue” na história das eleições baianas desde 1947. Antes de 2026, apenas seis haviam terminado com vitória, enquanto 20 foram derrotadas.
Com Jerônimo, Rui e Wagner eleitos, a composição petista se torna a sétima experiência vitoriosa desse tipo no estado e a primeira desde 2002.
A estratégia consiste em concentrar em uma mesma legenda as candidaturas ao governo e às duas vagas em disputa para o Senado. Em 2026, o PT apostou no peso eleitoral acumulado pelos três nomes para superar a necessidade tradicional de distribuir os espaços da chapa entre diferentes partidos aliados.
A escolha colocou lado a lado três políticos com experiência no Executivo estadual. Wagner governou a Bahia entre 2007 e 2014. Rui Costa comandou o estado entre 2015 e 2022. Jerônimo, eleito em 2022, conquistou agora um novo mandato no Palácio de Ondina.
Estratégia já havia sido usada na era carlista
A concentração de nomes de um mesmo grupo político em uma chapa majoritária não é inédita na Bahia. O precedente mais próximo ocorreu durante o período de hegemonia do carlismo.
Em 2002, o então PFL lançou Paulo Souto para o governo e Antônio Carlos Magalhães e César Borges para as duas vagas ao Senado. Os três foram eleitos naquele pleito. Souto venceu a disputa pelo governo com 53,7% dos votos válidos, enquanto ACM e César Borges conquistaram as cadeiras no Senado.
O levantamento histórico do A TARDE aponta aquela eleição como a última vitória de uma chapa puro-sangue antes do resultado de 2026. O PFL também havia conseguido resultados semelhantes em 1990, 1994 e 1998, além de 2002.
A experiência mostra que a utilização de nomes de forte identificação eleitoral pode funcionar como estratégia de concentração de forças quando existe uma estrutura política capaz de sustentar as três candidaturas.
Nomes testados nas urnas
A formação da chapa petista também levou para a disputa do Senado dois políticos com trajetória eleitoral consolidada.
Rui Costa foi eleito governador da Bahia em 2014 e reeleito em 2018. Depois de deixar o governo estadual, assumiu o Ministério da Casa Civil no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Jaques Wagner foi eleito governador em 2006 e reeleito em 2010. Após deixar o Executivo estadual, foi ministro da Casa Civil e depois tornou-se senador pela Bahia em 2018, sendo o recordista histórico com mais de 4,3 milhões de votos, e permaneceu no cargo.
Jerônimo Rodrigues, por sua vez, chegou ao governo estadual em 2022, quando sucedeu Rui Costa. Com a reeleição, o PT mantém o comando do Palácio de Ondina e amplia para três mandatos consecutivos a sequência de governadores petistas na Bahia.
A escolha dos três nomes, portanto, reuniu diferentes momentos da trajetória eleitoral do partido no estado: o governador em exercício buscando a continuidade, um ex-governador com atuação no governo federal e um senador que rompeu com a hegemonia carlista em 2006.
Alianças e força eleitoral
A experiência baiana também reforça o papel das alianças e da escolha de candidatos com histórico de votação em eleições majoritárias. Embora a chapa de 2026 tenha sido exclusivamente petista, sua construção ocorreu dentro de uma base política mais ampla, que reúne partidos aliados ao governo estadual.
Nesse modelo, a força eleitoral individual dos candidatos é combinada com a estrutura partidária e com a atuação de lideranças regionais. Partidos como o PSD, liderado pelo senador Otto Alencar, e o Avante, de Ronaldo Carletto, foram considerados fundamentais para a estratégia exitosa da superchapa petista este ano.
Ao todo, a coligação do governador contou com oito partidos, que fizeram diferença para o resultado vitorioso deste ano. Eles são:
- Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV)
- PSD
- MDB
- PSB
- Avante
- PDT
FONTE: A TARDE


