A confirmação de novos casos e o alerta de surto ativo de sarampo emitidos pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) recolocaram a doença no radar das autoridades. O cenário, porém, não preocupa apenas os serviços de saúde: a alta capacidade de transmissão do vírus também representa um desafio para empresas, especialmente porque os casos têm atingido principalmente bebês e adultos entre 20 e 50 anos, faixa que concentra grande parte da população economicamente ativa.
O sarampo está entre as doenças infecciosas de maior poder de transmissão. Durante o período de contágio, uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas não imunizadas que estejam ao redor. A disseminação ocorre pelo ar e também pode acontecer pelo contato com superfícies contaminadas. Em escritórios compartilhados, reuniões presenciais e locais com circulação constante de funcionários, a facilidade de transmissão aumenta a possibilidade de surgirem surtos, afastamentos e impactos na rotina das empresas.
1ª dose aos 12 meses;
“O sarampo está dentro daquelas doenças que tínhamos todas as condições de erradicar totalmente por influência de uma vacinação muito eficiente, mas que, por diversas questões, perdemos o jogo. E isso é muito duro e difícil de admitir”, alerta o médico Cláudio Tafla, superintendente de Gestão de Saúde da Alper Seguros. “Em um ambiente de trabalho, o vírus pode se espalhar com uma rapidez devastadora. A pergunta que toda liderança deve se fazer hoje é: nossa empresa está pronta para lidar com a reemergência de uma doença tão contagiosa?”, acrescenta.
Prevenção também é uma questão para o RH
Diante desse cenário, a prevenção não se resume a lidar com funcionários afastados ou reorganizar escalas depois que os casos aparecem. Para o especialista, RH e gestores de benefícios também têm papel importante na prevenção. “Quando o surto atinge a faixa etária dos colaboradores, a saúde do trabalhador e a continuidade da operação passam a depender diretamente da prevenção. O papel das organizações vai muito além de arcar com os custos de sinistralidade do plano de saúde; é preciso atuar de forma proativa”, afirma Tafla.
Entre as medidas estão campanhas internas de conscientização, orientação aos funcionários e incentivo à conferência e atualização da carteira de vacinação. “Investir em campanhas internas de conscientização, checagem e incentivo à atualização da carteira vacinal dos funcionários é uma medida de gestão inteligente de benefícios. É assim que a empresa protege seu maior patrimônio — as pessoas — e previne paralisias operacionais graves”, destaca.
Os primeiros sintomas podem parecer uma gripe
Outro desafio é reconhecer a doença logo no início. Os primeiros sinais do sarampo podem ser confundidos com uma infecção respiratória comum. Entre os sintomas estão febre de início rápido e persistente, prostração, tosse contínua, coriza e perda de apetite. Alguns sinais, porém, podem ajudar a levantar a suspeita. Um deles são as manchas de Koplik, pequenos pontos brancos que aparecem na parte interna das bochechas e podem surgir antes das manchas na pele.
Outro sinal característico é o exantema, formado por erupções avermelhadas que geralmente aparecem entre o terceiro e o quinto dia de evolução da doença. As manchas costumam começar atrás das orelhas e depois se espalhar pelo restante do corpo. “Caso a febre seja controlada e os sintomas regridam em 7 a 10 dias, a evolução costuma ser favorável.
Mas se a febre persistir intensa, a tosse ficar mais forte e gerar cansaço ou queda do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente”, orienta o especialista. O sarampo, no entanto, não deve ser tratado como uma simples síndrome gripal. A doença pode provocar complicações graves, incluindo pneumonia, e apresenta risco de mortalidade.
Quem deve tomar a vacina?
A vacinação é a principal forma de prevenção e continua sendo a estratégia mais eficaz para conter a circulação do vírus. Diante do surto em curso, as autoridades de saúde passaram a recomendar a chamada “dose zero” da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias que residam ou estejam em trânsito por áreas com circulação do vírus. Essa dose é uma proteção antecipada e emergencial e não substitui as doses previstas no calendário regular.
De acordo com o esquema apresentado pelo especialista, a vacinação segue estas recomendações:
- Crianças aos 12 meses: primeira dose regular da vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola;
- Crianças aos 15 meses: segunda dose com a vacina tetra viral, que também inclui proteção contra varicela, ou com a tríplice viral;
- Pessoas de 5 a 29 anos: duas doses registradas na carteira de vacinação, respeitando intervalo mínimo de 30 dias;
- Adultos de 30 a 59 anos: pelo menos uma dose comprovada e registrada;
- Trabalhadores da saúde: duas doses registradas, independentemente da idade.
A vacina é produzida com vírus vivo atenuado e, por isso, não deve ser aplicada em gestantes ou pessoas imunodeprimidas. Perdeu a carteira de vacinação? Há o que fazer A falta do comprovante de vacinação é uma situação comum entre adultos que não sabem dizer com certeza se receberam as doses na infância. Segundo Tafla, quando não há segurança sobre o histórico vacinal, a revacinação é considerada uma conduta segura. “Se você tem dúvida se tomou ou não a vacina, não existe risco grave ou doença por ‘excesso’ ao tomar uma nova dose da vacina contra o sarampo. O máximo que pode acontecer são reações normais e leves, como dor no local da aplicação, febre baixa ou vermelhidão passageira”, explica. Para quem vai viajar ou participar de eventos com grande concentração de pessoas, a orientação apresentada pelo especialista é atualizar a vacinação com pelo menos 15 dias de antecedência. Além da imunização, medidas de higiene ajudam a reduzir a transmissão. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel, não compartilhar copos e talheres e evitar levar as mãos ao rosto são cuidados que podem ser incorporados à rotina. Em caso de sintomas respiratórios, o uso de máscara também pode ajudar a reduzir a disseminação de vírus. A combinação dessas medidas com a vacinação é especialmente importante em locais de grande circulação, como empresas, escolas, transportes e ambientes de convivência coletiva.
FONTE: CORREIO24HORAS


