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HOMENS, PASSOU A HORA DE SE LEVANTAR.

HOMENS, PASSOU A HORA DE SE LEVANTAR.

A prisão, e a rápida soltura, do influenciador conhecido como “calvo do Campari”, detido por agredir a própria namorada, me revolta não apenas como agente público. Me revolta como homem, como esposo, como pai, como avô. É duro admitir, mas esse caso não é exceção, é sim o retrato vivo de um país onde a violência contra a mulher ainda encontra justificativas, seguidores e likes.

Angela Davis já ensinava que, em uma sociedade racista, não basta dizer que não somos racistas, é preciso agir de forma antirracista. O mesmo vale para o machismo. Vivemos em um país onde ele aparece de forma tão evidente, aberta e cotidiana, e só o enfrentaremos se, em vez de apenas rejeitá-lo no discurso, adotarmos práticas realmente antimachistas, questionando, denunciando e transformando o que mantém essa estrutura viva. É preciso reconhecer que carregamos marcas dessa estrutura dentro de nós, homens e mulheres. Cada notícia que surge mostra, com dureza, o quanto ainda estamos longe de alcançar a igualdade.

Há 20 anos, o governo Lula deu um passo decisivo no enfrentamento ao machismo ao criar o Ligue 180, que já acolheu mais de 16 milhões de mulheres. Esse número expressivo é mais que uma estatística, é a soma de histórias de dor, coragem e sobrevivência. Mostra como o Estado tem um papel essencial na proteção e na garantia de direitos das mulheres.

Tem uma pensadora que chama Simone de Beauvoir, que dizia que basta uma crise para que os direitos das mulheres sejam colocados em risco. E o Brasil tem sentido isso na pele. Primeiro com o golpe que tirou do poder a primeira e única presidenta, Dilma Rousseff, e depois com um período cheio de retrocessos políticos, sociais, morais e econômicos. Agora, mesmo com a retomada progressista no governo Lula 3, fica evidente que as tentativas de atacar e diminuir os direitos das mulheres nunca desapareceram. É por isso que precisamos manter a vigilância e seguir avançando.

Como deputado, transformei esse compromisso em ação concreta. Minha indicação culminou na Lei 14.109/2019, que obriga trios, camarotes, bares, restaurantes, boates, casas de shows e todos os meios de transporte intermunicipal, rodoviário, hidroviário e metroviário a afixarem placas com informações sobre a Lei Federal 13.718/2018, reforçando o combate à importunação sexual e indicando o Disque 180 para denúncias.

É uma lei simples, mas necessária. Porque a violência não começa no feminicídio. Começa no toque forçado, na ameaça velada, na “brincadeira” de mau gosto, no silêncio que protege o agressor. A violência começa antes da agressão, começa na naturalização do assédio.

Eu penso nas mulheres que vieram antes de nós. Em sertanejas, indígenas, negras, pardas, com deficiência, com limitações, com violações, que resistem há séculos à invasão de seus corpos e territórios, que carregam no corpo as marcas mais brutais da nossa história. Penso nas mães e trabalhadoras que enfrentaram o machismo sem ter a quem recorrer, muitas vezes nos ambientes onde deveriam se sentir mais acolhidas. Nas filhas que cresceram ouvindo que precisavam “se cuidar”, como se o risco fosse culpa delas, e nas netas que merecem herdar um país menos cruel. São gerações inteiras que não podem mais ser silenciadas.

Por isso, quando vejo casos como o do calvo do Campari, eu me recuso a tratá-los como episódios isolados. São parte de um machismo organizado, lucrativo, que transforma misoginia em conteúdo. Um machismo que se sustenta na impunidade.

Por minha esposa, por minha filha, por minha neta, por todas as mulheres da Bahia e do Brasil, eu sigo na luta. Não haverá silêncio.

Mesmo com diversas ações já criadas, estamos muito longe de viver uma sociedade em que as mulheres se sintam seguras. Desta forma, acolho a provocação do presidente Lula e me junto à formação do movimento nacional dos homens contra os agressores de mulheres. Estou aqui, de braços erguidos, junto com nosso presidente para apontar o agressor, denunciar o assédio e enfrentar a misoginia onde ela aparecer.

Finalizo este artigo com o propósito que me motivou a escrevê-lo. Peço, com seriedade e indignação, que cada homem que lê este desabafo se esforce para deixar para trás o conforto do silêncio. Não se trata de julgar quem, no passado, ficou calado (muitos de nós já estivemos nesse lugar). O que importa agora é que não permaneçamos em silêncio daqui pra frente.

Ser antimachista não é frase de efeito, não é like, não é discurso bonito. Ser antimachista é atitude, é incômodo, é coragem.

Homens, levantem-se e lutem ao lado das mulheres contra qualquer tipo de violência. Não permitamos que elas sigam enfrentando essa batalha sozinhas.

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