Equipamentos, amostras científicas e trabalhos acadêmicos foram destruídos por um incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, entre a noite de quarta-feira (7) e a manhã desta quinta (8). É a terceira ocorrência de fogo em instalações da instituição em oito dias.
O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao local, na Cidade Universitária, na zona oeste da capital pernambucana. As chamas foram controladas por volta das 6h, sem registro de vítimas. Ainda não há informação sobre a causa nem uma estimativa do prejuízo.
O imóvel abriga a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), também conhecida como Positiva. Segundo a UFPE, funcionavam no prédio laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética. A instituição informou que os bombeiros foram chamados imediatamente, mas o fogo avançou rapidamente, favorecido pelos tipos de produtos armazenados, e causou “grandes danos no prédio”.
O reitor Alfredo Gomes acompanhou o combate às chamas e relatou perdas de equipamentos e materiais utilizados em pesquisas. Em entrevista ao Diário de Pernambuco, afirmou que dissertações, teses e dados guardados em computadores também foram atingidos.
O prédio fica perto do alojamento estudantil. Segundo Gomes, os bombeiros informaram que uma parte do térreo havia sido preservada do fogo. A estrutura permanece isolada, sob supervisão da Superintendência de Infraestrutura, e a universidade ainda avaliará a extensão dos danos. As demais atividades da UFPE estão mantidas.
Pedidos de investigação
A destruição mobilizou autoridades e provocou pedidos de apuração. O advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciou que uma comissão de procuradores acompanhará o caso. “Determinei à Procuradoria-Geral Federal que designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e adotar, se necessário, as providências legais cabíveis”.
Ex-aluno da universidade, Messias também manifestou solidariedade à comunidade acadêmica. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, ofereceu apoio à instituição e informou estar em contato com a reitoria.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) afirmou que solicitará uma investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo ele, o prédio guardava amostras de pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid, TDAH e autismo, entre outros temas.
“Trabalhos de anos, projetos de IC, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos”, escreveu nas redes sociais.
Jones também disse ter recebido relatos de ameaças a estudantes horas antes do incêndio, com mensagens que falavam em “explodir o departamento”. A origem do fogo, porém, permanece desconhecida, e não há confirmação de vínculo entre os relatos e a ocorrência.
Os outros dois incêndios recentes atingiram laboratórios. No domingo (4), houve fogo no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências, sem vítimas. No fim de setembro, um incêndio acidental ocorreu no Departamento de Física durante a manipulação de um produto químico em um forno de alta temperatura.
A UFPE lamentou as perdas científicas e prestou solidariedade aos pesquisadores, professores e estudantes que utilizavam o prédio atingido.
FONTE: CORREIO24HORAS


