Brasil trabalha para repatriar fósseis e patrimônios de 14 países
O governo brasileiro, em conjunto com o Ministério Público e instituições científicas, intensificou os esforços para recuperar fósseis e bens culturais retirados ilegalmente do país. Segundo o Itamaraty, há pelo menos 20 negociações em curso. Os Estados Unidos lideram a lista de pedidos de devolução, seguidos por Alemanha e Reino Unido.
Esta prática de extração é chamada de “colonialismo científico”, onde países em posição de poder coletam materiais de antigas colônias ou nações em desenvolvimento, prejudicando a ciência local. Um estudo revelou que quase metade das pesquisas sobre fósseis da Bacia do Araripe (CE) foi feita exclusivamente por estrangeiros, mantendo as descobertas e o prestígio fora do Brasil.
Vitórias recentes:
Dinossauro Ubirajara jubatus: após pressão popular nas redes sociais, foi devolvido pela Alemanha em 2023. Hoje, impulsiona o turismo e a educação no Ceará.
Manto Tupinambá: o artefato do século 17 retornou da Dinamarca em 2024.
Irritator challengeri: um acordo recente com a Alemanha garantiu a repatriação deste dinossauro de 14 metros.
Aranha Pabllo Vittar: devolvida por uma universidade dos EUA após a constatação de venda ilegal.
Legislação e impacto:
No Brasil, o Decreto de 1942 estabelece que fósseis são propriedade da União, sendo sua venda proibida. A repatriação desses itens não apenas repara uma injustiça histórica, mas permite que pesquisadores brasileiros tenham acesso a materiais de ponta, atraindo investimentos e fortalecendo a identidade cultural.
A Bacia do Araripe, origem de muitos desses materiais, é um Geoparque Mundial da Unesco e candidata a Patrimônio da Humanidade. O retorno dessas peças é fundamental para que a população local se aproprie de suas próprias riquezas naturais e históricas.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL
FOTO: © Joédson Alves/Agência Brasil


